falencia de futebol

Falência no Futebol


 

Decadência no Futebol Brasileiro

 
Exibido em: 21/9/2008

Reportagem: André Tal

Sonorização: Christian Melo

Quando se trata de futebol e atletas promissores, o Brasil é um dos maiores celeiros de “pé-de-obra qualificada”. Seduzidos por boas propostas financeiras, muitos jovens saem do país antes mesmo de completarem 18 anos e rumam para locais onde o futebol é uma incógnita, como é o caso dos países do Oriente Médio. Na equipe do Paulista, interior de São Paulo, existe, inclusive, um planejamento (treino, educação e apoio psicológico) voltado totalmente para o mercado externo.

Há dois anos, o Galo de Jundiaí mantém uma parceria com um clube da cidade de Lausanne, Suíça, na qual os jogadores que se destacam nas categorias de base da equipe viajam para um período de adaptação na Europa. Cinco atletas já tiveram sua primeira passagem pelo Velho Continente e Thales deve ser o próximo a embarcar. “Venho me preparando há alguns anos para isso e na hora espero estar pronto. Quero fazer um bom trabalho e de lá ir para grandes clubes europeus.”

Coordenador das divisões de base do Paulista, Marcos Biazotto revela que o atual cenário do futebol brasileiro obriga os clubes a vender as suas promessas. “O investimento fora daqui é muito maior, a verdade é que nós dependemos das vendas e negociações desses garotos para nos mantermos hoje.” Do outro lado da balança, o jovem também prefere encurtar distâncias, ganhando a estabilidade financeira “anonimamente” no estrangeiro, a ser uma grande estrela em um time brasileiro.

“As propostas de fora são muito mais vantajosas do que aqui no Brasil, isso mexe com o jogador e com sua família, que geralmente é carente”, afirma Renato Mirala, Diretor de Marketing do projeto. Atacante do Flamengo, Marcinho foi um dos que optaram por este caminho. Em boa fase no rubro-negro, o atleta trocou o time de maior torcida no Brasil e artilharia no Campeonato Brasileiro pelos dólares da Arábia Saudita. Apenas este ano, 1052 jogadores foram “exportados”.

Até os anos 90, os torcedores estavam acostumados com os ídolos que vestiam por anos a mesma camisa. A identificação dos craques era tamanha que não faltam exemplos, como o Flamengo de Zico, o Santos de Pelé ou o Corinthians de Sócrates. Nos dias de hoje, apenas dois jogadores parecem herdar esse legado no futebol brasileiro: Marcos e Rogério Ceni, goleiros do Palmeiras e São Paulo, respectivamente. Beijar o escudo do time e jurar fidelidade a ele não é uma alegoria qualquer.

No cenário da profissionalização do jovem, a figura do empresário é um episódio à parte.&nbspMuitos não&nbspsão credenciados&nbsppela FIFA e&nbspassediam os atletas ainda nas categorias de base, prometendo rios de dinheiro e, inclusive, tendo direito a uma porcentagem do valor na transação. No último mês, o ex-santista Robinho trocou o Real Madrid pelo inexpressivo Manchester City pela quantia de 42 milhões de euros, após uma longa e cansativa novela.

Tetracampeão pela seleção em 1994, Paulo Sérgio diz que boa parte dos jovens se esquece da carreira assim que atinge a estabilidade econômica. “Você vê garotos com 15, 16 anos ganhando fortunas. Dez anos depois, ele chega ao ápice na questão financeira e já não tem mais motivação para jogar, tendo apenas 25 a 26 anos.” O ex-jogador atua hoje como consultor do Bayern de Munique na América Latina.

Falência no Futebol: Estádios  
Exibido em: 16/11/2008

Reportagem: Reinando Gottino


Produção: Alan Covas

Edição: Michel Cury e Carlos Rodrigues

Sonorização: Luciano Monson

Instalações inadequadas, falta de manutenção ou violência entre torcidas organizadas. Motivos não faltam ao torcedor brasileiro para não freqüentar o estádio. De acordo com o SINAENCO, Sindicato Nacional de Arquitetura e Engenharia, nenhum estádio no Brasil tem condições de sediar uma partida de Copa do Mundo (o país sediará a edição de 2014). “Vimos que eles [estádios] estão bem distantes das exigências da FIFA”, afirmou José Roberto Bernasconi, presidente da entidade.

“Não é só segurança e acessibilidade, como também as condições para receber as pessoas que vão transmitir o evento”, completa. Os problemas encontrados foram documentados e não são poucos. No Mineirão, em Belo Horizonte, e na Arena da Baixada, em Curitiba, alguns setores da torcida não possuem visão do campo inteiro. Já no caso da Vila Belmiro, em Santos, os jornalistas precisam subir uma escada de madeira improvisada para conseguir gravar a partida.

Nem mesmo o estádio João Havelange, construído para os Jogos Pan-americanos de 2007, se encaixa no perfil exigido pela FIFA. Segundo Paulo Castilho, Promotor de Justiça, o principal problema no caso é a localização. “Foi uma falha de estratégia, porque as ruas são muito estreitas, há uma favela nas proximidades e o acesso é difícil. Infelizmente, o ‘Engenhão’ se mostra inviável para a realização de um jogo de risco, consequentemente, um jogo de Copa do Mundo.”

Para o arquiteto Eduardo de Castro Melo, especialista em construção de estádios, a principal razão responsável por este triste cenário é a falta de conservação. “Nossos estádios foram concebidos na década de 40 e 50. Ao longo do tempo, não é feita a manutenção deles, apenas gambiarras: uma pintura, um conserto, mas nunca uma reforma completa.” A premissa se mostrou uma realidade ingrata menos de 1 mês após a FIFA anunciar o Brasil como país sede da Copa de 2014.

Durante a partida entre Bahia e Vila Nova-GO, válida pela Série C do Brasileiro e realizada em novembro de 2007, parte da arquibancada do Fonte Nova cedeu, matando 7 pessoas na queda. Bernasconi revela que a tragédia era uma questão de tempo. “Nós mostramos que era o estádio em pior condição e lamentavelmente, duas semanas depois aconteceu o acidente. Esse incidente denota um problema cultural brasileiro: a falta de manutenção. Não basta fazer uma obra, é preciso mantê-la bem.”

Em 2000, a polêmica Copa João Havelange ficou conhecida não apenas por seu estranho método de disputa, mas também pela tragédia que marcou o segundo jogo da final, entre Vasco e São Caetano. O excesso de público fez com que um trecho do alambrado de São Januário fosse abaixo, ferindo mais de 100 pessoas. Ao invés de socorrer os torcedores, o então presidente cruzmaltino Eurico Miranda tentou expulsar os feridos do gramado para reiniciar a partida.

Outro risco de quem freqüenta as arquibancadas é a violência. “Nós precisamos pensar em um plano de evacuação em situações de emergência, briga, incêndio e nós não temos um projeto, não há vários portões para esvaziar o estádio rapidamente.” Enquanto a Copa de 2014 não chega, a CBF e os clubes se mexem contra tempo para fazer as reformas requeridas pela FIFA. Reformas que nunca foram feitas nas décadas anteriores.

fonte: Rede Record

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