rede 21

Especial: 21, de “canal de São Paulo” a “Rede da Fé”

Sem nenhum alarde – por motivos óbvios -, a Rede 21 completou 13 anos no último dia 21.

Pouco antes das 12h do dia 21 de outubro de 1996, imagens da recém-inaugurada torre da Band iniciavam as transmissões do Canal 21 – O Canal de São Paulo, que até então operava em caráter experimental, exibindo dois filmes por dia, na “Sessão das 7” e “Sessão das 9”.

O primeiro slogam tinha tudo a ver com a proposta do canal. Das 12 horas de programação, 3 horas e meia eram de jornalismo local, incluindo um programa de esportes. O restante era composto por clipes, filmes e séries:

Grade de programação do Canal 21 em 21/10/1996. Clique para ampliar em uma nova aba ou janela.

Primeira abertura do “Jornal 10”, noticiário com maior tempo de vida na história da emissora (1996).

Bons filmes marcaram o Canal 21 nessa época: “Sexo, Mentiras e Videotape”, “Amadeus”, “Um Estranho no Ninho” e “Vidas Sem Rumo” foram reprisados várias vezes. Nessa primeira fase, a programação do domingo tinha o “Domingão do Cinema”, com sessões ao meio-dia, 14h, 16h, 18h, 20h e 22h.

Os programas entravam no ar com rigorosa pontualidade, e os espaços entre eles eram preenchidos por atrações, no mínimo, curiosas. “TV Fish” foi o nome dado às imagens estáticas de um aquário que ocupava as madrugadas e qualquer espaço livre da emissora no final da década de 1990. Ao som de New Age, os peixes nadavam por horas na tela do 21. Já o “Clipe da Hora”, tapa-buraco mais “normal”, exibiu, por um bom tempo, somente clipes franceses, com legendas no estilo videokê. Patricia Kaas era hit com “Mon Mec a Moi” e “Fatiguée D’attendre”:

Nem só de (bons) enlatados, jornalismo e tapa-buracos inusitados era feito o Canal 21. Em 1998, época em que Ricardo Kotscho assumiu a direção de jornalismo, a atriz Lena Whitaker discutia sexo com pessoas na rua, num programete chamado “Deleite Condensado”. Em 2000, Maria Cristina Poli deixou a TV Cultura para apresentar o “Circular”, um criativo programa de entrevistas dentro de um ônibus.

A emissora passou por sua primeira crise em 2001, quando extinguiu praticamente todas as produções próprias e ampliou os espaços dos “Infomerciais”, que já haviam tirado os peixes do ar nas madrugadas. A grade passou a mesclar igrejas, programas independentes e televendas com filmes e séries de qualidade duvidosa. E o 21 caiu no ostracismo.

Em 2003, um novo fôlego apareceu com a transformação oficial do canal em rede, através da afiliação da TV Brasília, que havia deixado a RedeTV!. Com quantidade menor de horas vendidas, entraram no ar novidades como “Larry King”, séries clássicas (“Jeannie é Um Gênio” e “A Feiticeira”) e produções inéditas, como o “Rota 21”, de esportes e turismo.

No ano seguinte, a rede deu um salto de qualidade com a aquisição de novas séries, como “Seinfeld” e “Will & Grace”. Também estrearam programas da BBC, National Geographic, E! Entertainment Television e FX, além de séries clássicas (“Jornada nas Estrelas” e “A Ilha da Fantasia”) e novas (“That ’70s Show”, “3rd Rock From The Sun”, “Absolutely Fabulous” e “Sex and the City”). O Rio de Janeiro passou a receber o sinal da nova rede no canal 54.

Chamada de estreia da Rede 21 no Rio de Janeiro (2004)

Página principal do site da Rede 21 em 2004. Clique para ampliar em uma nova aba ou janela.

No final de 2004, a emissora comemorava o crescimento de 54% no faturamento e apostava na continuidade da ascensão para o ano seguinte.

Anúncio das novidades para 2005 exibido na página principal do site, que passava por reformulação.

Chamada da Programação 2005

Para a direção artística, foi contratado Rogério Gallo, que trazia no currículo experiências de sucesso na MTV Brasil, RedeTV! e Band.

Com Rogério Gallo, a Rede 21 reforçava o posicionamento baseado na qualidade da programação e voltava a investir em produções próprias, com o “Blog 21”, que trazia a princesa Paola Orleans e Bragança, o rapper Xis e o humorista Felipe Xavier falando de música, games, cinema e comportamento, e o “Saca Rolha”, um talk show com Marcelo Tas, Lobão e Mariana Weickert.

Na segunda metade do ano, a emissora sofreu um novo corte de custos: o “Blog 21” foi extinto, e a prodição da versão brasileira de “Top of The Pops”, cuja estreia era prometida para o período, foi cancelada. Resistiram apenas o “Saca-Rolha” e o “Jornal 21”. Nos espaços vagos, entraram séries e animes, como “Yu Yu Hakusho” e “Os Cavaleiros do Zodíaco”.

Chamada de “Os Cavaleiros do Zodíaco” (2006)

O “Saca Rolha” e o “Jornal 21” resistiram, também, ao lançamento da PlayTV, resultado da parceria entre o Grupo Bandeirantes e a empresa Gamecorp, que substituiu a Rede 21 em 05 de junho de 2006. Na PlayTV, o jornal voltou a ser chamado de “Jornal 10”.

Chamada do “Jornal 10” na PlayTV

A grade da PlayTV destacava os programas “Combo”, “Playhit” e “Gamezone”, que haviam migrado da MixTV para a Rede 21 um mês antes da mudança de nome. No lançamento da PlayTV, a Band comemorava a audiência das atrações na Rede 21: “A programação da produtora (…) esteve à frente da MTV, sua principal concorrente, em exatos 25 dias em maio, na média de audiência verificada pelo Ibope”.

O contrato da produtora com o Grupo Bandeirantes estava previsto para durar dez anos, mas, em junho do ano passado, começaram a aparecer as primeiras notícias sobre a possível volta da Rede 21. Um mês depois, já estava no ar a “nova” Rede 21, praticamente um clone da PlayTV. Compare a programação das duas na época:

Reproduzido do post “PlayTV pode voltar (deixando clone no lugar)”, de 10/07/2008.

Pouca gente deve ter visto esse período da Rede 21. Um mês depois, já era anunciada a chegada da Igreja Mundial para ocupar 22 horas diárias do sinal. A notícia se confirmou em 10 de agosto, transformando a rede na maior igreja eletrônica da televisão brasileira.

Para o cargo de diretor artístico, foi chamado o pastor Ronaldo Didini, ex-Igreja Universal, que prometia alternar os cultos da Igreja Mundial com programas, mas parece que a ideia não vingou. Talvez nem precise: do jeito que está, já conseguiu fazer a TV Alagoas trocar o SBT pela sua “Rede da Fé”, em Maceió, e a TV Piauí largar a RedeTV! em Teresina. Um verdadeiro milagre!

Leia tudo o que já foi publicado no blog sobre a Rede 21

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